Manual — Modelo de Viabilidade
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Como usar este modelo

Ele existe para responder uma pergunta antes de vocês assinarem qualquer coisa: quanto essa operação precisa vender para se pagar, e quanto dinheiro de verdade precisa estar na mesa até lá. Depois de aberta, vira a régua do dia a dia — o mês fechado entra e o modelo diz se a realidade está seguindo a conta.

A ideia em um minuto

Todo negócio tem dois tipos de custo. O variável só existe quando você vende: a mercadoria, a matéria-prima, a comissão, o imposto sobre a nota. O fixo chega todo mês mesmo que você não venda nada: aluguel, salário, sistema, contador.

O que sobra do preço depois de pagar o variável chama-se margem de contribuição. É o único dinheiro que existe para pagar o custo fixo. Quando a soma das margens de todas as vendas do mês empata com o custo fixo, você atingiu o ponto de equilíbrio.

A conta inteira

Ponto de equilíbrio = custo fixo do mês ÷ margem de contribuição de uma unidade.

Se o custo fixo é R$ 38.500 e cada venda deixa R$ 291,50 de margem, você precisa de 133 vendas por mês. A 132, você perdeu dinheiro. A 134, começou a ganhar.

Tudo que este modelo faz é levar essa conta a sério: separando o imposto, ponderando produtos diferentes, distinguindo o que sai do caixa do que é só lançamento contábil, e projetando quanto tempo até o dinheiro investido voltar.

O que é uma linha de receita

Esta é a parte que mais confunde, então vale devagar.

Uma linha de receita não é um produto do seu catálogo. É um agrupamento de vendas que se comportam igual do ponto de vista do dinheiro — mesmo preço aproximado, mesma estrutura de custo. Se você vende 400 SKUs, você não cria 400 linhas: você cria 3 ou 4 famílias.

Regra prática

Duas coisas merecem linhas separadas quando têm margens diferentes. Se dois produtos deixam a mesma margem percentual, junte — separar não muda nenhuma conta e só polui a tela. Se deixam margens muito diferentes, separe — é exatamente aí que mora a decisão de mix.

Como as suas provavelmente são

Tipo de operaçãoLinhas que fazem sentidoPor que separar
Comércio / distribuição Produto de giro · Produto premium · Acessório / complemento O de giro tem margem baixa e volume alto; o premium sustenta o resultado. Misturar esconde qual dos dois paga a conta.
Serviço / consultoria Projeto pontual · Contrato recorrente · Hora avulsa O recorrente tem custo de venda quase zero depois de fechado. É outra economia.
Alimentação / varejo de ponto Prato / produto principal · Bebida · Sobremesa ou adicional Bebida costuma ter o dobro da margem do prato. O mix de bebida por mesa decide o mês.
Indústria / produção Linha padrão · Linha sob encomenda Encomenda tem custo variável maior e preço maior. Comportamento diferente.
Serviço com equipe em campo Serviço próprio · Serviço com terceiro / parceiro O terceirizado tem custo variável muito mais alto. Cresce faturamento sem crescer margem.

O que preencher em cada linha

CampoO que éOnde as pessoas erram
Preço R$O preço médio de venda daquela família, já com o desconto que vocês realmente dão.Colocar o preço de tabela. Se 3 em cada 10 vendas saem com 10% off, o preço médio não é o de tabela.
Custo var. R$O que sai do bolso por unidade vendida: mercadoria, matéria-prima, frete de entrega, embalagem, taxa de cartão.Incluir salário fixo ou aluguel aqui. Se o custo existe mesmo sem venda, ele é fixo.
Comissão %Percentual sobre a venda pago a vendedor, marketplace, indicador ou plataforma.Esquecer a taxa do marketplace ou do app de entrega — que costuma ser a maior comissão da operação.
% do mixDe cada 100 unidades vendidas, quantas são desta linha.Preencher em faturamento em vez de unidades. O modelo pondera por unidade. E os valores não precisam somar 100 — ele normaliza sozinho.
Se a sua operação vende só uma coisa

Use uma única linha com 100% do mix. O modelo funciona igual — você só não terá a análise de mix, que é a que mostra qual família merece mais esforço comercial.

Se você vende por valor, não por unidade

Consultoria, obra, contrato — coisas onde "unidade" é estranho. Trate uma unidade = um contrato médio. Preço é o ticket médio do contrato; volume é quantos contratos por mês. Funciona perfeitamente e fica mais fácil de conversar: "precisamos de 7 contratos por mês para empatar" é uma frase útil numa reunião de sócios.

Quando a operação é serviço

A conta é exatamente a mesma. O que muda é o que você chama de "unidade" — e uma restrição que produto não tem.

1. Escolha a unidade de venda

No alto da coluna esquerda, o campo O que vocês vendem troca o vocabulário da tela inteira: unidade, contrato, projeto, hora ou atendimento. Não muda nenhum cálculo — muda a frase que sai da reunião. "Precisamos de 9 contratos por mês para empatar" conversa; "precisamos de 9 unidades" não.

Se vocês vendemUma "unidade" éPreço éCusto variável é
Assessoria mensal, software, manutençãoUm contrato ativoA mensalidade médiaO que só existe por causa daquele cliente: licença, terceiro, comissão
Projeto fechado, obra, campanhaUm projetoO ticket médio do projetoFreelas, fornecedor, produção específica daquele job
Hora técnica, jurídica, terapiaUma hora faturávelO valor/hora praticadoQuase sempre perto de zero
Consulta, sessão, procedimentoUm atendimentoO valor da sessãoMaterial de consumo, repasse ao profissional

2. Preencha a capacidade de entrega

Este é o campo que só existe por causa de serviço, e é o mais importante deles. Em Expectativa, informe quanto a equipe atual consegue entregar por mês — não quanto vocês esperam vender.

Por que isso muda tudo

Em produto, se a demanda aparece você compra mais mercadoria. Em serviço, se a demanda aparece e não há agenda, a venda simplesmente não acontece. O gargalo não é o mercado, é a equipe.

Quando o ponto de equilíbrio exige mais entrega do que cabe na agenda, a operação é inviável por capacidade — e nenhum esforço comercial resolve. Contratar sobe o custo fixo, o que empurra o ponto de equilíbrio para cima de novo. É a armadilha clássica de negócio de serviço, e o bloco Capacidade de entrega aponta ela antes de vocês assinarem.

O bloco mostra a ocupação necessária para empatar: que percentual da agenda precisa estar vendido só para não dar prejuízo. Acima de 80% é sinal amarelo — sobra pouco espaço entre o zero a zero e o teto físico, e o lucro dessa operação tem um limite baixo por construção. Nesse caso, crescer resultado passa por preço, não por volume.

Se a operação não tem teto claro (equipe elástica, entrega automatizada, você subcontrata sem limite), deixe 0 e o bloco some.

3. Espere margens altas — e leia o que elas significam

Serviço costuma ter custo variável baixo, então a margem de contribuição vem alta: 70%, 85%, às vezes mais. Isso é bom, mas tem uma consequência que o modelo vai apontar: praticamente todo o resultado é decidido pelo custo fixo. A alavancagem operacional fica alta, o negócio ganha muito na alta e sofre muito na baixa, e a decisão mais importante da operação passa a ser o tamanho da estrutura — não o preço nem o desconto.

Recorrência

Se o serviço é recorrente, use uma linha chamada "Contrato recorrente" e trate o volume como contratos ativos no mês, não contratos novos. Aí o ponto de equilíbrio ganha um significado muito prático: é a carteira mínima que precisa estar viva para a operação se pagar. E a pergunta do mês vira "quantos contratos eu perdi?", que é a pergunta certa num negócio de recorrência.

Preenchendo o modelo

A coluna da esquerda são as premissas. Tudo que você digita ali recalcula a página inteira na hora.

Imposto sobre venda

A alíquota efetiva sobre o faturamento. Imposto sobre venda é custo variável — sobe quando você vende mais — e ignorá-lo faz o ponto de equilíbrio sair subestimado em 6% a 15%. Os presets são chutes de faixa inicial para você começar; a alíquota real vem do contador, e no Simples ela sobe conforme o faturamento acumulado dos últimos 12 meses.

Custos fixos

Tudo que chega todo mês independente de venda. Cada linha tem uma caixinha sai do caixa:

  • Marcada — o dinheiro sai do banco de verdade. Aluguel, folha, energia, software.
  • Desmarcada — é custo contábil que não sai do banco. Depreciação de equipamento e de reforma. Aparece no resultado, mas não no extrato.

Essa distinção é o que separa o equilíbrio contábil do financeiro.

O erro mais caro dessa tela

Deixar o pró-labore em zero. Sócio que trabalha na operação e não se paga esconde prejuízo dentro do próprio bolso: o modelo mostra lucro, e o lucro é exatamente o salário que vocês deixaram de tirar. Coloque o valor que vocês precisariam pagar a alguém para fazer o que vocês fazem.

Capital e sócios

  • Investimento inicial — tudo que é gasto antes de faturar: obra, equipamento, estoque inicial, taxas de abertura, primeira campanha.
  • Custo do capital (% a.a.) — quanto esse dinheiro renderia se ficasse parado com risco baixo, ou quanto custa se for emprestado. É o que define o equilíbrio econômico. Na dúvida, use a taxa de um investimento conservador da época.
  • Sócios — nome e aporte de cada um. A participação sai da proporção do aporte.

Expectativa e rampa

Esta é a parte mais subestimada do modelo.

  • Volume esperado — unidades por mês depois que a operação engrenou. Não é o mês 1.
  • Mês 1 = % do regime — quanto vocês realmente vendem no primeiro mês. Seja pessimista: 25% a 40% é o normal.
  • Meses até o regime — quantos meses até chegar no volume cheio.

A rampa é o que produz o número mais importante da tela: o capital realmente necessário. Todo mundo calcula o investimento inicial. Quase ninguém calcula quanto de prejuízo acumulado é preciso bancar até a operação virar — e é aí que sociedades quebram, não no investimento.

Lendo os resultados

Os três pontos de equilíbrio

A mesma operação responde a três perguntas diferentes, e a diferença entre elas é onde mora a conversa honesta entre sócios.

QualA pergunta que respondeQuando usar
Contábil"Quando o resultado do exercício fica em zero?"Conversa com contador, DRE, imposto.
Financeiro"Quanto preciso vender para pagar as contas deste mês?"Sobrevivência no curto prazo. É o número que importa quando o caixa está apertado — sempre o menor dos três.
Econômico"A partir de quanto valeu a pena ter colocado esse dinheiro aqui em vez de deixar rendendo?"Decisão de entrar ou não. É o alvo real de uma sociedade — o mais alto dos três.

Margem de segurança

Quanto a venda pode cair antes de a operação empatar. Abaixo de 20% é operação tensa: qualquer mês fraco vira prejuízo. Acima de 40%, dá para respirar.

Sensibilidade cruzada

A matriz mexe preço e custo variável ao mesmo tempo, porque é assim que o mundo funciona — o fornecedor reajusta na mesma semana em que o concorrente baixa o preço. Verde é resultado positivo, vermelho é negativo, e o quadro com contorno é onde vocês estão hoje. Se o vermelho está encostado no seu quadro, a operação é frágil — não importa que o número de hoje seja positivo.

Alavancas

Quatro coisas mudam um resultado: preço, custo variável, custo fixo e volume. O bloco calcula quanto cada uma precisaria mexer sozinha para levar a operação ao equilíbrio, e destaca a mais barata.

Quando a operação já está no lucro, ele inverte e mostra a folga: quanto cada frente pode piorar antes de o resultado zerar. É o teste de fragilidade da operação.

Leia com malícia: se a alavanca mais barata é "subir preço 1%", o problema é comercial e pequeno. Se a mais barata exige 30% em qualquer frente, o problema é o modelo do negócio, e nenhum esforço de execução resolve.

Caixa, capital e retorno

  • Capital realmente necessário — investimento inicial mais o prejuízo acumulado da rampa. Compare com o aporte dos sócios. Se falta, decidam agora, não no mês 5.
  • Buraco máximo de caixa — o fundo do poço, e em que mês acontece.
  • Payback — mês em que o caixa acumulado devolve o investimento.
  • Alavancagem operacional — o quanto o lucro reage à venda. Acima de 4× é estrutura pesada: ganha muito na alta e perde muito na baixa. Se o volume é incerto, vale trocar custo fixo por variável mesmo perdendo margem unitária.

Cenários

Pessimista, base e otimista lado a lado. Se o pessimista quebra a operação e o pessimista é plausível, o modelo não está pronto — independente de quão bonito seja o cenário base.

Leitura

O último bloco escreve, em texto corrido, o que os números dizem. É o que você lê em voz alta numa reunião de sócios. Sai atualizado sempre que qualquer premissa muda.

O ciclo do dia a dia

Depois que a operação abre, o modelo deixa de ser projeção e vira régua. Todo mês fechado, um lançamento no bloco Realizado × modelo.

  1. Lance o período. Clique em + período, escreva o mês (mar/26) e preencha unidades vendidas e receita do mês.
  2. Deixe custo variável e custo fixo em branco se nada mudou. O modelo assume os valores das premissas, e assim o desvio isola exatamente o que você quer ver: preço e volume. Preencha só quando o custo real mudou de fato.
  3. Leia a linha. Ela mostra o preço médio realmente praticado, a margem em pontos percentuais contra o modelo, o ponto de equilíbrio daquele mês específico e quanto faltou (ou sobrou) em unidades.
  4. Aja no desvio, não no resultado. Margem caiu mas volume bateu? Vocês venderam com desconto. Volume caiu mas margem subiu? Vocês estão vendendo pouco e caro. São dois problemas diferentes, com dois remédios diferentes.
O padrão que vale procurar

Três meses de preço médio realizado abaixo do modelo não é azar, é política de desconto informal. Ela não aparece em lugar nenhum da contabilidade — só aqui, comparando o que foi projetado com o que foi cobrado.

Sócios, links e várias operações

Cada operação vive num modelo separado, com link próprio. Um link nunca enxerga o outro. É assim que operações com sócios diferentes convivem sem se misturar.

Como o acesso funciona

Não há login nem senha — o próprio link é a chave. Ele contém um código aleatório de 22 caracteres. Quem tem o link edita; quem não tem não encontra a operação de jeito nenhum.

O que isso exige de vocês

Trate o link como trata a senha do banco da empresa. Mande no privado para os sócios daquela operação, não em grupo de WhatsApp com terceiros, e não publique em lugar nenhum.

Trabalhando ao mesmo tempo

  • Tudo que você digita salva sozinho, em segundos. A barra no topo mostra salvo com a hora e o número da versão.
  • A página verifica o servidor a cada 20 segundos. Se um sócio alterou, ela se atualiza e avisa quem foi.
  • Se dois editarem exatamente ao mesmo tempo, o sistema não sobrescreve em silêncio: ele avisa e deixa você escolher qual versão fica.
  • Se a internet cair, o trabalho continua salvo no seu navegador e sobe sozinho quando a conexão voltar.

Histórico

Toda alteração vira uma versão numerada, com data e autor. O botão Histórico lista as últimas e restaura qualquer uma com um clique — e restaurar também vira uma versão nova, então nada se perde nem mesmo ao desfazer. É a cópia de segurança: não existe estado que se perca por alguém ter mexido.

Várias operações

Na tela inicial, Criar operação abre um modelo novo, zerado, com link novo. As operações que você já abriu ficam listadas nesse navegador para acesso rápido — mas quem manda é o link: guarde-o também fora do navegador (anotado, no e-mail, onde for), porque limpar os dados do navegador apaga a lista, não a operação.

A ponte com o Claude

O botão Ponte de dados existe para não precisar digitar nada. O modelo inteiro cabe num bloco de texto que vai e volta do chat.

  1. Para alimentar: conte os fatos em conversa solta — "o aluguel é 8 mil, o produto sai a 340, a gente compra a 190, o Ricardo entra com 120 mil". O Claude devolve o bloco; cole em Ponte de dados e clique em Aplicar dados.
  2. Para analisar: clique em Copiar estado atual e cole no chat. Ele lê o modelo inteiro e comenta.
  3. Todo mês: dite o realizado, receba o bloco atualizado, cole. O histórico do ano vai se acumulando dentro do modelo.

O bloco é o modelo inteiro — premissas, sócios e todos os períodos lançados. Aplicar substitui tudo; se estiver em dúvida, copie o estado atual antes, ou confie no Histórico, que guarda a versão anterior de qualquer jeito.

Premissas e limites

Um modelo honesto declara onde ele não vale. Estes são os limites deste:

  • A alíquota de imposto é entrada, não cálculo. O modelo não conhece o seu regime nem o seu faturamento acumulado. Confirme com o contador.
  • O mix é ponderado por unidades, não por faturamento. Se você pensa em participação de receita, converta antes.
  • A rampa é linear entre o mês 1 e o mês de regime. Sazonalidade forte (praia, escola, fim de ano) não está modelada — nesse caso, projete com o mês médio e trate os picos à parte.
  • O payback é nominal, sem trazer o dinheiro a valor presente. O custo do capital entra pelo equilíbrio econômico, não pelo payback.
  • Não há capital de giro de estoque e prazo. Se você compra à vista e vende a 30 dias, o buraco de caixa real é maior que o calculado. Some essa necessidade ao investimento inicial.
  • Premissa não é fato. Todo número da coluna esquerda é uma aposta de vocês. O modelo é rigoroso com a aritmética e não tem opinião sobre a aposta.
O que fazer com isso

Use o modelo para tomar a decisão de entrar, para dimensionar o aporte e para dar régua ao dia a dia. Não use no lugar do contador, nem como projeção que se cumpre sozinha. Ele mostra o que precisa ser verdade para a conta fechar — quem faz ficar verdade são vocês.